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30 de setembro: dia de São Jerônimo


São Jerônimo sentado no fundo de seu estúdio, escrevendo. Na frente um leão e um cachorro. Há na gravura diversos elementos que o simbolizam, além do leão, como a galera e o crânio.
São Jerônimo em seu estúdio. Albrecht Dürer. Gravura em metal. 1514.¹ Imagem: Wikimedia commons.

Há 1602 anos falecia Eusebius Sophronius Hieronymus, o famoso São Jerônimo, Doutor da Igreja Católica. Ele nasceu em Estridão, no ano de 347, e faleceu Belém, em 420, aos 73 anos.


O Estúdio São Jerônimo leva seu nome, e curiosamente só vim me lembrar depois (se não me engano) que havia a gravura de Albrecht Dürer de título quase igual. Pois escolhi "estúdio", já que oficina e atelier (ou scriptorium) não comportavam todas as coisas que sei e pretendo fazer como artesã. Tudo que faço, seja escrever, desenhar, costurar, encadernar, montar ou tecer, são, no fim das contas, eternos estudos. E estúdio é lugar de estudar.


Deixo para muitos outros dias a biografia de São Jerônimo, discutida com certeza há milênios, para citar trechos que traduzi esta tarde — atividade que, sem pensar no momento, mas pensando agora, foi a melhor comemoração do dia do santo, pois ele é mais conhecido justamente por ser tradutor da Bíblia do grego e do hebraico para o latim: a Vulgata.


Além de patrono dos tradutores, São Jerônimo é patrono dos arqueólogos, arquivistas e bibliotecários, sendo esta última profissão também a minha, mesmo que técnica. O trecho que traduzi fala de seu amor pelos livros:

Ele também aos poucos construiu sua própria biblioteca, embora lhe tenha custado um trabalho indizível. Livros naquele tempo custavam uma fortuna que ele não podia arcar, então teve que copiar ele mesmo todos os livros que quis ter. Simplesmente se jogou na tarefa: copiou Plauto, Virgílio e Cícero. Logo se tornou um sábio amante dos livros. Amava bons pergaminhos, tinta grossa, capas duras e o cheiro de livros e de bibliotecas.

Tradução livre de trecho da p. 13 do livro Saint Jerome and his times, de Jean Steinmann e traduzido por Ronald Matthews.


São Jerônimo deitado de bruços em oração com crucifixo nos braços. A madeira foi pintada a óleo e o representa na natureza, com rio e colinas ao fundo. Há ainda elementos comuns nas obras de Bosch e o galero, chapéu que lembra o cargo de cardeal ocupado por Jerônimo no século 4.
São Jerônimo em oração. Hieronymus Bosch. Óleo sobre madeira (carvalho). ca. 1485. Imagem: Wikimedia commons.

Minha amiga Mia, editora do Querido Clássico (onde sou redatora), hoje se lembrou de mim porque essa obra apareceu em sua tela. Ela não sabia que era dia de São Jerônimo, e coincidentemente (ou não: aposto na sincronicidade) também é bibliotecária. Segundo o app DailyArt, o mesmo que Mia usa,


Como homônimo de Hieronymus Bosch, São Jerônimo ocupa espaço significativo em sua obra. Bosch o representou em diversas ocasiões. O artista considerava o santo um grande exemplo, tanto por ser um estudioso como por seu moralismo implacável e dedicação pessoal. A pintura foi completamente restaurada e analisada utilizando várias técnicas científicas em 2015 e 2016. [...] Ele a pintou sozinho, sem ajuda alguma de seus assistentes. A moldura original foi perdida. Sua análise dendrocronológica indicou que a pintura foi terminada depois de 1485 e antes de 1495.


Bibliófilo (lembrando que Bíblia é a palavra grega para "livros", e biblion corresponde a "livro"), São Jerônimo tem muito a ensinar, nesses mais de um milênio e meio de história. Como são muitas as fontes e referências bibliográficas, e por ele ser patrono deste meu empreendimento, este é apenas o primeiro de muitos textos sobre este grande tradutor, tão representado nas artes e cultuado nas igrejas católica romana, ortodoxa e anglicana.

 

¹ “O ano coincide com a publicação da tradução da biografia de São Jerônimo por Lazarus Spengler, amigo de Dürer.” Em The complete engravings, etchings & drypoints of Albrecht Dürer, edited by Walter L. Strauss.

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